A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) acompanha com atenção o anúncio feito nesta quarta-feira (2/04) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de novas tarifas comerciais a produtos de diversos países, incluindo o Brasil. Embora o anúncio de tarifas de 10% sobre produtos brasileiros represente uma sinalização de endurecimento nas políticas comerciais americanas, a FIEMG entende que também pode representar uma vantagem competitiva para o Brasil frente aos demais países e, eventualmente, uma oportunidade para a indústria nacional.
Além disso, a Federação reitera sua confiança na diplomacia comercial e no papel ativo do Brasil em buscar soluções negociadas, capazes de preservar empregos, investimentos e o equilíbrio da balança comercial, preservando as relações comerciais estratégicas entre os dois países.
Também é preciso entender se os produtos já taxados anteriormente pelo governo americano em 25%, como é o caso do aço, do alumínio e do setor automotivo, serão atingidos ou não pela nova taxação.
Entre os setores da economia brasileira e da indústria mineira que devem ser afetados pela medida estão:
Siderurgia e metalurgia: o aço brasileiro, especialmente o semiacabado, é amplamente exportado para os EUA, sendo um elo complementar à cadeia produtiva americana. A imposição de 25% de tarifas sobre produtos siderúrgicos, já anunciadas anteriormente e agora, se acrescidas de 10%, afetarão diretamente a competitividade da indústria nacional.
- Aeronáutico: aeronaves da Embraer, produto de alto valor tecnológico e estratégico, compõem parcela significativa das exportações brasileiras. A medida pode comprometer a presença dos jatos regionais brasileiros no mercado americano.
- Madeira e derivados: os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras do setor. Produtos como madeira perfilada e itens para marcenaria têm forte dependência do mercado norte-americano. Além disso, pastas químicas (celulósicas) à Soda ou Sulfato é o maior produto exportado pelo Brasil do setor de madeira, representando 41,5% das importações brasileiras dos EUA em 2023.
- Etanol: apesar da oscilação nas exportações, os EUA ainda figuram como segundo maior destino do etanol brasileiro, reforçando a relevância do setor na pauta exportadora.
- Commodities agrícolas: como café e carne bovina, que compõem itens sensíveis na relação bilateral.
- Cobre: apesar de os EUA não serem o principal destino do cobre brasileiro, qualquer alteração no mercado global impacta os preços e a cadeia produtiva interna.
- Alumínio: o Brasil ocupa a 17ª posição entre os fornecedores de alumínio dos EUA. No entanto, assim como o aço, o produto já havia sido taxado em 25% e pode ser impactado pela nova tarifação.
- Setor automotivo: a medida pode repercutir negativamente sobre a produção nacional, especialmente em Minas Gerais, que é um dos principais exportadores de peças e acessórios para veículos para os EUA.
Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 40,4 bilhões (12% das exportações) e importou US$ 40,7 bilhões (15,5% das importações) dos Estados Unidos. Com estes resultados, o saldo comercial com o país norte-americano foi praticamente nulo. No entanto, o superávit americano em relação ao Brasil foi acumulado em US$ 165,4 bilhões entre os anos de 2015 a 2024.
Imprensa FIEMG